Um sábado em que tinha oito anos e boné de grande pala na cabeça dei por mim a desembrulhar cinco tostões de rebuçados dos “jogadores”, simpáticos drops com sabor a coisa nenhuma senão a açúcar e, por dentro, um cromo representando um craque do futebolinha de então. Custava cada um dez centavos. Havia uma caderneta onde a gente colocava, de acordo com a numeração, os cromos saídos, formando assim as equipas da Primeira Divisão. (Sucedia por vezes aparecer no Atlético um jogador que entretanto mudara para o Belenenses ou vice-versa, mas não fazia mal. )Fernando Assis Pacheco (1937-1995), Memórias de um Craque



