
A cozinha – Sem o som dos passarinhos de uma dona de casa que trauteie uma melodia em voga enquanto apronta o jantar para as oito em ponto. Minuciosa. Sem os risos e as botas dos homens que chegaram da caça e vão por ali entornar vinho e pegadas de lama só porque há uma maneira especial de comer aquele bicho bravio. Como o viram fazer ao avô, ainda pequenos, quando por graça lhes davam uma batata para descascar. A cozinha moderna são uns mosaicos polidos pela nostalgia de comer (a alegria). Sítio anacrónico. Mostruário de utensílios muito quietos, e funcionais, no meio dos quais se aquece e faz e volta a aquecer café e se espalham migalhas de tostas e facas sujas de lacticínios vários.





