segunda-feira, 16 de junho de 2008

REMORSO MEU ... DE TODOS NÓS



Poeta, não te entendo: que razão
pode existir para um de nós qualquer
sentir remorsos por não ter nação
do jeito ou da maneira que se quer?

De tudo quanto falas, trago em mim,
desde menino e moço, de garoto,
de tudo um pouco, pois ao mundo vim
no norte do país, dito minhoto.

Lá se encontra o melhor de Portugal
em todos os sentidos, desde as festas
ao vinho verde, que é o principal.

Com tais feições, mais boas do que más,
muitas das quais de tradições pagãs,
não sei, Poeta, porque te molestas!

JOÃO DE CASTRO NUNES

PS - Pede-se ao leitor que leia
o anterior registo, ou seja, o poema deAlexandre O'Neill.

4 comentários:

Anónimo disse...

O Professor Joãode Castro Nunes acaba de prestar mais um serviço à ALTERNATIVA. A sua poesia assume-se em discordância relativamente àquela que Alexandre O'Neill sustentou,quanto ao tema comum em análise. São dois modos de ver Portugal, um mais "incomodado" e desalentado, outro mais "acomodado" (no melhor sentido, entenda-se!) e optimista. Seja como for, o nosso conceito de CULTURA passa por aqui.Por este lastro polémico, por este contínuo debate de ideias, por este superador confronto, que nos faz ser mais humanos e mais livres. Bem hajam, bem hajam aos dois admiráveis Poetas!

Amadeu Carvalho Homem - Presidente da Direcção da ALTERNATIVA-Associação Cultural

Germana disse...

Portugal, Portugal

Tiveste gente de muita coragem
E acreditaste na tua mensagem
Foste ganhando terreno
E foste perdendo a memória

Já tinhas meio mundo na mão
Quiseste impor a tua religião
E acabaste por perder a liberdade
A caminho da glória

Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar

Tiveste muita carta para bater
Quem joga deve aprender a perder
Que a sorte nunca vem só
Quando bate à nossa porta

Esbanjaste muita vida nas apostas
E agora trazes o desgosto às costas
Não se pode estar direito
Quando se tem a espinha torta

Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar

Fizeste cegos de quem olhos tinha
Quiseste pôr toda a gente na linha
Trocaste a alma e o coração
Pela ponta das tuas lanças

Difamaste quem verdades dizia
Confundiste amor com pornografia
E depois perdeste o gosto
De brincar com as tuas crianças

Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar

Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar.

JORGE PALMA

http://www.youtube.com/watch?v=HXH3IiqRU7o&feature=related

Anónimo disse...

SEGUNDA SÉRIE

Presentemente são menos salgadas
as salsas águas do salgado mar,
pois nossas mães e nossas namoradas
há tempo que deixaram de chorar.

Cheias não partem já nossas armadas
de combatentes para o ultramar:
encontra-se o país de mãos atadas
por falta de ideais... para sonhar.

Fechou-se um ciclo de oitocentos anos
de história que nos versos de Camões
tem desde logo os lances soberanos.

Varrido por titânica intempérie,
renasça Portugal entre as nações
como se fosse numa nova série!

João de Castro Nunes

Anónimo disse...

QUINTO IMPÉRIO

O Quinto Imério que virá um dia
consolidar a nossa identidade
eatá na calha como se previa
no berço já da nacionalidade.

Não é pura questão de valentia,
como outrora já foi, na antiguidade,
mas será graças à diplomacia
que pode vir a ser... realidade.

Não se imporá por lanças nem canhões
mas pela Poesia, a linguagem
que mais de perto fala aos corações.

Onde estiver uma alma portuguesa
não há-de faltar nunca vassalagem
para esse Império ser uma certeza!

João de Castro Nunes