quarta-feira, 16 de setembro de 2009

"POR COIMBRA" ... (COM DESPREZO?)

A Urbanização onde vivo desde 1999 (Gorgulão 1, à Estrada de Eiras) não foi devidamente acabada pelo urbanizador. Após alguns anos de diligências pessoais junto dos Serviços Camarários, os Administradores do Condomínio apresentaram um requerimento ao Sr. Presidente da Câmara Municipal de Coimbra em 13/10/2005, solicitando a execução da Caução do urbanizador e a assunção, pela Câmara, da conclusão dos trabalhos em falta. Embora não tivesse dado resposta a esse requerimento, o Executivo Municipal, pela Deliberação n.º 189/2005, de 14/11/2005, decidiu proceder conforme o requerido.

Subsequentemente, e até 2 de Abril de 2008, foram efectuados pedidos escritos ao Sr. Presidente da Câmara para informar o Condomínio sobre a data provável em que se iniciariam as obras. Contrariando as normas legais, as normas do bom senso e as normas da boa educação, nenhuma resposta foi obtida!

Em 30 de Maio de 2008, decorridos que estavam 2 anos e 4 meses sobre a Deliberação do Executivo Municipal, os administradores dos Lotes apresentaram queixa à IGAL- Inspecção-Geral da Administraçãoi Local. Esta, respondeu em 12 de Junho de 2008 dizendo ter solicitado esclarecimentos ao Sr. Presidente da Câmara Municipal de Coimbra . Três meses depois, pediu-se à IGAL informação sobre o resultado dessa diligência e em Outubro de 2008 a IGAL informou estar a aguardar os esclarecimentos pedidos à Câmara. O Condomínio insistiu no pedido em 16 de Janeiro de 2009, mas a IGAL, talvez para não revelar estar a ser desrespeitada, já não respondeu.

Perante um quadro destes, os Administradores do Condomínio enviaram em 30 de Junho de 2009 uma exposição ao sr. Governador Civl de Coimbra, acompanhada pelos necessários documentos, solicitando-lhe que diligenciasse no sentido de levar a Câmara Municipal a prestar a informação que lhe vem sendo pedida desde há mais de 3 anos e que mandasse executar as obras em falta na Urbanização, conforme por ela decidido em Novembro de 2005.

Registe-se que, pela concessão do Alvará n.º 375, de 24/08/1995, a Câmara Municipal de Coimbra recebeu do urbanizador 19 171,4 m2 de terrenos, dos quais, além de 5 562 m2 para ceder ao IC2 e 1 938,4 m2 para ligação e alargamento da Estrada de Eiras, reservou 4 463,5 m2 para zonas verdes da Urbanização... Quem está verde (de desilusão e arrependimento) são os Munícipes que aqui compraram os seus Andares e aqui vão morrendo sem novidades de maior...

.Não sabemos se o sr. Governador Cilvil fez a diligência pedida. Sabemos, sim, que, passados quase 3 meses, os seus serviços administrativos nem, sequer, acusaram a recepção da exposição apresentada (salvo o carimbo que apuseram na cópia desse documento). Mas sabemos também que, neste caso (como em muitos outros), o Executivo Municipal de Coimbra manifestou um reiterado desprezo pelos legítimos direitos dos seus Munícipes e, soberba (ou soberana?), nem respeita os seus deveres para com a Inspecção-Geral da Administração Local! É a tradicional “cultura” do faz-de-conta...

Apetece perguntar: será que, para lá de palavras mansas e de vazias promessas de amor, por Coimbra não vai, mesmo, mais “nada, nada, nada?”!...

Que não “venham mais 5” do mesmo!

Júlio Correia - Amigo da ALTERNATIVA

(16/09/2009)

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

VERÃO (Crónica)

A tarde cálida suga-me as forças. Mergulho no jornal, à sombra das videiras do quintal, e ali fico a percorrer notícias de incêndios, assaltos e acidentes.

Olho as videiras que me dão sombra. Já cá estavam quando nasci. E vão ficar, cada vez mais velhas e podres, nos anos que vierem. As uvas, que orgulhavam os avós, estão agora cheias de moléstias que não deixam crescer os bagos. Têm falta de calda, é um crime, dizem as visitas, o senhor é um desleixado, mas eu já não herdei o saber de as tratar nem o gosto de aprender. Sou da geração que apenas soube esbanjar o que ficou e o que devia legar.

Sem me dar conta estou no lugar que o meu pai ocupava quando as forças começaram a faltar-lhe. À minha frente está vazio o lugar da minha mãe que aos oitenta anos colocou Saramago no seu devocionário e começou a devorar-lhe os livros com a pressa de quem sabe que escasseia o tempo.

Os anos vão passando. Não sei por que razão regresso onde fui feliz, onde estes espaços sempre foram reservados, para sofrer com o lugar que ora me cabe.

A vida é um privilégio que rapidamente se esgota e a morte uma injustiça irreversível.

Numa rua próxima passa a procissão. Ainda vem gente para sacudir o pó aos santos e levá-los a laurear pela vila por entre cânticos, orações e foguetes. Não sei o que pensam as pessoas que seguem o arcipreste e as que lhe seguram o pálio, nem que sentido tem a custódia erguida para o céu que abandonou as gentes e as aldeias que esperam o sumiço da última geração dos lugares onde nasceu.

Apesar da exuberância do Verão, o equinócio virá aí com as folhas a tecerem a manta morta que cobre os campos e o Outono da vida esgota-se aos que ficaram e vão partindo sem que alguém ocupe o lugar que deixam. Não há herdeiros que reclamem tal herança.

Talvez por hábito, ainda volto, de vez em quando, quem sabe se para me deixar apanhar à falsa fé e desaparecer onde surgi.

Deambulo pela vila em busca de gente como náufrago à procura de terra firme. Aguardo o lusco-fusco para que os corpos cansados apareçam em busca da brisa e dos restos de vida que ainda deve haver dentro das casas arruinadas que a autarquia se encarrega de caiar por fora. As lojas continuam abertas, com prateleiras cheias de coisas que ninguém pede, portas à espera de alguém que entre, enquanto os proprietários as não franqueiam para sair. Onde param as pessoas que restam, aquelas que ainda querem tirar da terra a comida que há-de faltar?

Definitivamente, não se vê vivalma. Só dentro das casas se encontra gente, as pernas já não aguentam, à espera de familiares que não aparecem. Amanhã é domingo, talvez venham muitos, roídos de saudade e de remorso. Há uma nova procissão, em honra da Senhora da Barca, que conserva a veneração apesar de avara nos milagres e indiferente aos que deixam as terras, a fé e a vida.

O dia nasceu calmo. No lar da Misericórdia os velhos tomam banho e biscoitos no leite da manhã. Alguns já foram avisados dos percalços que retiveram os filhos. Uma velhota cheia de alegria e de lágrimas olhou com orgulho os colegas e gritou, são os meus netos, enquanto se amparava nas muletas em direcção ao filho que a viera mostrar. Deram-lhe dose reforçada de insulina, hoje abusará, tem o filho e os netos, vão insistir que coma, terá sobremesa, que lhe faz mal, e a nora que não lhe quer bem.

Esquece as dores reumáticas e as articulações, entra para a parte de trás do automóvel e beija os netos que prosseguem os jogos electrónicos e perguntam se o almoço demora.

Queixa-se a velhota de que os campos estão abandonados, este ano já não apanha a azeitona, perdeu-se a vinha grande, os pastores derrubam as paredes, chegam-lhe ecos de que ninguém respeita os prédio e o monólogo acaba interrompido com a reprimenda azeda da nora, devia ter vendido, queria viver para sempre, agora ninguém lhes pega.

Ó mãe, as viagens ficam caras, a vida não está fácil, eu sei meu filho, cada vinda custa mais de duzentos euros, os miúdos faltam à piscina, faltaram aos anos do amigo, lindos meninos que vieram ver a avó, que Deus os abençoe. Reprime as lágrimas e remexe os bolsos a apalpar duas notas de vinte euros que reserva para os netos, não se evaporem.

Depois de pesado silêncio o carro detém-se à porta do restaurante. Os miúdos correm para a entrada, a nora vem abrir a porta à sogra enquanto olha a linha do horizonte e espera o marido para içar a mãe que sai penosamente com o reumatismo, as articulações e a fractura do colo do fémur a cobrarem-lhe a visita.

A refeição é demorada, o serviço é lento, a empregada recita a ementa, não há muito por onde escolher, eu como qualquer coisa, os miúdos exigem bife, batatas fritas e ovo, o pão vai servindo como redutor de ansiedade para o repasto que demora, a nora diz que comia melhor em casa, escusava de percorrer quatrocentos quilómetros e outros tantos que há-de fazer no regresso, lá chegam o bacalhau e os bifes, ó mãe beba menos água que lhe faz mal, avó limpe a boca, tanto ruído, a refeição avança, vem mousse de chocolate para todos. Dois cafés e a conta.

Ó mãe, já não passamos lá por casa, vamos deixá-la no lar, eu sei que queria ver as suas coisas, ainda queremos chegar de dia, já nos vimos, sabe como é, cada um gosta de estar na sua casa, ó menina traga-me a conta, da próxima vez vimos de véspera, estamos mais tempo, nem penses, bem sabes que não durmo na casa da tua mãe, o esquentador não funciona, a água sai suja, as camas necessitam de ser mudadas, é boa vontade fazermos oitocentos quilómetros num só dia.

Não tardou a ver-se amparada por uma criada, à porta do lar, enquanto fazia adeus aos netos e o filho abanava o braço esquerdo pela janela do carro em movimento. Procurou o lenço no bolso, trouxe com ele duas notas de vinte euros, ai a minha cabeça, afligiu-se com o descuido, os netos já iam longe e a porta esperava que ela entrasse para se fechar.

Lá estavam os amigos habituais, nenhum indagou como fora o dia, os velhos adivinham os dramas, conhecem as mágoas das visitas, sabem o estorvo que são e contam as horas, cada vez menos felizes, sempre mais pesadas.

Aguardam com ansiedade as visitas que não chegam e, quando o fim-de-semana expira, sentem o alívio de não terem vindo. Para a separação definitiva, nada melhor do que as ausências cada vez mais longas. É a vida. A morte é o acto que ainda falta para rematar a tragédia.

CARLOS ESPERANÇA

Associado da ALTERNATIVA

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

OS DEBATES I


Comecemos pelo princípio: é positivo, para o esclarecimento dos cidadãos e para a democracia, que os líderes dos partidos com assento parlamentar tenham chegado a acordo para realizarem debates a dois, entre todos. É igualmente de assinalar que o actual primeiro-ministro (apesar de uma hesitação inicial) tenha acabado por aceder a fazer o que outros primeiros-ministros, na história recente da nossa democracia, recusaram: debater com os líderes de todos os partidos que têm presença na Assembleia da República.

Dito isto, analisemos o comportamento de todos eles, do ponto de vista da forma, agora que está concluída a primeira semana de debates.

“Os extremos tocam-se” é uma frase que se aplica na perfeição aos comportamentos de Paulo Portas, do CDS-PP, e Francisco Louça, do Bloco de Esquerda. Ambos excelentes oradores, de palavra fácil e resposta pronta, equivaleram-se, nos confrontos já realizados, em eficácia e capacidade comunicativa, em empenho e entusiasmo oratórios. Também na preparação dos temas que foram debatidos.

Manuela Ferreira Leite, do PSD, e Jerónimo de Sousa, do PCP, têm estado lado a lado: no cinzentismo, na falta de entusiasmo nos debates, e na pouca expressividade comunicativa. Jerónimo consegue mesmo estar pior que Manuela Ferreira Leite, já que tem o hábito de falar a olhar para a mesa… como se os eleitores estivessem debaixo da dita, e não por trás das câmaras que o filmam. A timidez de Jerónimo de Sousa no relacionamento com as câmaras de televisão é notória.

José Sócrates, do PS, foi o líder que mais evoluiu. Ombreando com Paulo Portas e Francisco Louça, na capacidade comunicativa, nos dotes oratórios, no entusiasmo do discurso e na preparação dos temas em debate, deixou de ser o entrevistado truculento, agressivo e, por vezes, nervoso em excesso, que foi em debates anteriores e recentes. A evolução é notória e extremamente positiva para os interesses e objectivos do Partido Socialista.

Em termos de classificação, numa escala de zero a vinte, diremos que José Sócrates obtém 18 valores, Paulo Portas e Francisco Louça 16 valores, cada, Manuela Ferreira Leite 9 valores, e Jerónimo de Sousa 8 valores.

JOAQUIM ANTÓNIO - Associado da ALTERNATIVA

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

A TERRA, NOSSO PLANETA

A Terra é a nossa “casa” em movimento no espaço e, pelo que se sabe até hoje, é o único planeta do sistema solar com vida. É também o terceiro planeta mais próximo do sol e pertencente ao sistema solar, que compreende os planetas seguintes: Mercúrio, Vénus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Neptuno; tem aproximadamente a forma esférica, sendo achatada nos pólos. Encontra-se numa zona onde o calor proveniente do Sol é o adequado para que a possamos habitar.

O interior da Terra é constituído por um núcleo que contém metais, como o ferro e o níquel. O material do interior da Terra atinge temperaturas de 5270 K (4 996,85 ºC) e chega frequentemente à superfície através de erupções vulcânicas.

Este planeta que habitamos é conhecido por planeta azul porque tem 70% da sua superfície coberta de água.

A parte exterior da crosta Terrestre é formada pelos continentes e pelos oceanos. Está envolvida por uma camada gasosa, a atmosfera, que é constituída essencialmente por azoto e oxigénio. Esta camada ajuda a filtrar as radiações nocivas do sol e não deixa escapar todo o calor que dele recebe; também nos protege do impacto de meteoróides. A nossa atmosfera contém ozono nas camadas mais altas; este é um gás que impede que parte da luz ultravioleta, proveniente do sol nos atinja; o ozono forma uma camada protectora, pois se todas as radiações ultravioletas, provenientes do sol, chegassem ao planeta Terra, seriam suficientes para matar todos os seres vivos aí existentes.

Nem sempre a atmosfera foi assim; há cerca de 4,5 mil milhões de anos, quando a Terra se formou, não havia oxigénio. Julga-se que antigos vulcões emitiram vapor de água e dióxido de carbono, em quantidades tais, que o arrefecimento desse vapor de água deu origem aos oceanos. Também, a acção da luz solar sobre o vapor de água fez aparecer o oxigénio na atmosfera. Pensa-se que a partir da água dos oceanos e do dióxido de carbono se formaram, por acção da luz solar, os primeiros seres vivos, que inicialmente eram unicelulares, dando origem, mais tarde, a seres multicelulares mais complexos e capazes de respirar.

O facto de a Terra possuir uma atmosfera e de se encontrar a uma distância adequada do sol, fazem com que esta seja o único planeta que tem água no estado líquido e uma temperatura que permite a existência da vida tal como a conhecemos. Pensa-se que o aparecimento de vida na Terra se deu há 3 800 000 000 de anos, isto é, há quase 4 mil milhões de anos enquanto a Terra se terá formado há cerca de 5 mil milhões de anos. A formação do Universo terá 15 mil milhões de anos.

A medida do nosso planeta foi obtida há mais de 2 000 anos por um sábio Grego (Eratóstenes); o diâmetro equatorial é de 12 756 Km; está a uma distância média do Sol de 1,0 UA (149,6 milhões de Km). A sua massa é de 6x1024 Kg.

A Terra tem dois movimentos: o movimento de translação, em que se move à volta do Sol, segundo uma órbita elíptica, e o movimento de rotação, em volta de um eixo imaginário que atravessa o planeta de pólo a pólo, rodando em torno de si mesma e em sentido directo que é o sentido contrário ao do movimento dos ponteiros de um relógio.

A Terra efectua uma rotação completa em aproximadamente 24 h (período de rotação) e no seu movimento de translação completa uma volta em 365,25 dias ou seja, 365 dias e 6 horas (período de translação).

As temperaturas à superfície da Terra vão de -70 a 55 ºCelsius sendo a sua temperatura média de 14 a 15 ºC. Tem um único satélite a que chamamos Lua.

Rosa Maria Campos - Associada da ALTERNATIVA, que seguidamente apresenta a sua identidade, referida ao Cosmos

Cidade- Coimbra

País- Portugal

Continente- Europa

Planeta- Terra

Sistema Planetário- Sistema Solar

Galáxia- Via Láctea

Enxame de Galáxias- Grupo Local

Universo

terça-feira, 1 de setembro de 2009

A RENDA E O BUREL

Há sempre os ganhadores e os perdedores, uns fazem-se à custa dos outros. -Sto Agostinho

Alguém se dirige ao anónimo e todos desviam o olhar, depois a atenção e por fim a fala…

O louvor intumesce a cauda ao "pavão", proclama com mestria de oratória o louvado e, eis então, que este chega à ribalta num ápice, consagrado pelo aplauso colectivo.

Convencidos da vida existem afinal por toda a parte, em todos e, por todos os meios. Eles estão convictos da sua excelência, da superioridade das suas obras, que sabem manobrar, em prol da sua finalidade, ávidos de projecção social.

Hoje surgem às centenas em tudo quanto é lugar: na política, no trabalho, na TV e jornais, no ginásio, no café e até nas obras sociais…

Culto do ego, ou idolatria social?

Converteu-se então numa generalidade esta presunção, ao ponto de se transformar numa característica adquirida, sob forma de litigância social. É fomentada no seio de muitas famílias, que cultivam a "petulância", entendendo-a como arma de defesa da sua posição civil. Uma boa postura, um bom ar e um toque de cultura, dissimulada na exibição de um canudo, ajudam a criar um “super-ego”, ocultando fraquezas da penumbra daquele que se quer alardear.

Depois, é só treinar, praticando o auto-convencimento, como forma de acreditar que se é capaz, numa "performance" hábil, em prol da sua vaidade.

Quem não os vê por aí?

No corre-corre diário, o convencido da vida não é um pernóstico à toa. Ele quer extrair da sua vaidade não gratuita, todo o rendimento possível. Nos negócios, na política, no jornalismo, nas letras, nas artes…

Os epítetos arcaicos da nobiliarquia foram substituídos pela antonomásia expressa pelo “Dr.” e vai-se perdendo a individualidade, para se globalizar um sectarismo de sujeitos abrangidos por aquela metonímica que fez deles homens doutos e, portanto, com direito tácito a proeminência nalgumas sociedades actuais, herdeiras das culturas clássicas de organizações sócias demasiado estruturadas, com um Antigo regime tardio.

Prevalece assim o fervor dos títulos, arreigados a uma tradição de exuberância, cujos trajos “de luzes” têm ofuscado os comuns, funcionando como um disfarce que dominou os pelintras face à fidalguia, que ostentava o brasão, ou os “futricas,” em relação aos homens da “beca” no século XIX, portadores de insígnias com prerrogativas nobiliárquicas”.

Mas, quando a máscara da vaidade cai...fica-se nu, como todos vieram ao mundo, como todos haverão de partir dele!

É o disfarce que nos faz passar incólumes por entre as gentes, dá-nos força, acalenta os nossos dias, faz-nos reconhecidos na colectividade, espanta-nos os medos, convence-nos da superioridade, cultiva a soberba.

A realidade é uma luz fria, sem socapas iluminadas pelas gambiarras sociais, que tanto mais cintilam quanto mais variadas e potentes forem as acendalhas, contrapondo o homo vitroviano, a cru, anatómico.

"Ver claro é não agir", escreveu Fernando Pessoa Porém, poucos vislumbram com clareza, por isso encontram no espavento de um cognome, a melhor “muleta” um mérito, tantas vezes oco.

“Nem que essa grandeza possa ser breve…. Praticam uns com os outros apenas um “espelhismo” lisonjeador… “ - Alexandre O'Neill


MARGARIDA VIZEU - Associada da Alternativa

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

MONARQUIA DE ESCADA ABAIXO ?


A frontaria da Câmara Municipal de Lisboa após ter sido valentemente conquistada pelos guerrilheiros partidários da bandeira azul e branca

Como o leitor saberá pois os órgãos de informação noticiaram-no, um quarteto de monárquicos orbitrados num blog conhecido pela amável agressividade anti-republicana na qual se mescla uma agradável sobranceria fidalga (ou fidalgota, segundo alguns) talvez filha da inexistência de horizontes ideológicos consideráveis (acham-se partidários do Sr. Duarte Pio, o que já por si é relativamente constrangedor – vide as polémicas que rodeiam e rodearão o seu caso em Itália e já também em Portugal), mascarados de Darth Vader colocaram, pela calada da noite, uma bandeira da sua “causa ideológica” na Câmara de Lisboa. Um acto típico de felizes filhos família, dir-se-ia.

Em estilo de estudantes coimbrões, que fizeram lenda.

Nesse caso aceitava-se...

Mas o mais ridículo, embora ligeiramente inquietante, é que vieram a público com propósitos discursivos de tom reivindicatico e adusto, como se a República tivesse culpa das existência, nela, de ferreiras leites e josés sócrates pouco apelativos ou francamente descartáveis.

O geral dos comentários da trupe real que lhes louvou o acto, aduzido à explicação dada pelos darth vaders que efectuaram a acção, é de uma confrangedora relevância de análise.

Primeiro ponto: não foi como pretendem um acto de guerrilha ideológica, foi uma provocação de adeptos de um regime que a História expeliu e negou. Não foi uma provocação a políticos incapazes, mas uma provocação ao povo português. Para além de cliques interesseiras, querem que este também sustente pseudo-élites de ascendência...descendente.

Ou seja, um abuso pedante e nada mais.

Segundo ponto: esta acção é, claramente, um "apalpar de pulso". Pois sabe-se o que “anda no ar real”. Nessa perspectiva, deve ser encarada como um acto ilegal e susceptível de punição.

O povo e a nação merecem mais respeito, tanto de "republicanos" interesseiros como de monárquicos "guerrilheiros".

O desplante com que estes monárquicos de navegação à vista agem é pasmoso e revela bem o seu deficiente senso comum e a sua (in)sensatez formal. Tiveram um desarrincanço...guerrilheiro – de que a seguir, (porque serão eventuais “guerrilheiros por correspondência”, como dizia nos tempos do PREC um pobre diabo pseudo-esquerdista que ficou tristemente famoso no Alentejo) depressa se enrolaram em timidez.

E agora, pouco corajosamente, apelam para a comiseração e a desculpa da República que detestam! Querem conversações...

Isto dito, importará referir: a sua proposta é uma atitude de sobranceria alfacinhista, a não ser que seja uma simples garotada.

Mas não nos parece que seja. Com efeito, por detrás dum pretenso direito de manifestação (?)perfila-se uma pequena actuação claramente sediciosa. De pessoas inteligentes, que sabem bem o que querem: aproveitar a criticável actuação de governantes para visivelmente tentarem impor - mais do que pontos de vista - sim a elevação de uma ideologia não sancionada em eleições e claramente recusada pelo devir histórico.

Por detrás duma acção pretensamente corajosa e "engraçada" assoma o perfil sinistro de partidários de autocracias que a História já pôs de parte.

Os republicanos devem estar atentos e não deixarem que colem a estes gestos o perfil daquilo que não são: acto filho da liberdade de expressão. Ou brincadeira de intelectuais a meio-pano...

São sim uma acção concertada de neo-privilegiados que o querem ser de todo e que, afinal, começam por se propôr mediante um acto ilegal e realmente autoritário.

Não lhes façamos a vontade, mesmo de arraial.


nicolau saião

sábado, 1 de agosto de 2009

INFORMAÇÃO AOS LEITORES

Caros Amigos:

As postagens deste Blogue irão ficar suspensas no decurso do mês de Agosto. Mas a actividade cultural da ALTERNATIVA retomar-se-á em Setembro, com o empenho de sempre.

Para todos, BOAS FÉRIAS !

A Direcção da ALTERNATIVA - Associação Cultural