quarta-feira, 26 de maio de 2010

O MUSEU DA CIÊNCIA DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA

O Museu da Ciência da Universidade de Coimbra iniciou um grande projecto de difusão de cultura científica com a abertura da 1ª fase no Laboratorio Chimico, restaurado e recuperado para a nova função museológica. A abordagem museológica concretizada foi rapidamente reconhecida como uma das mais inovadoras e de maior qualidade na Europa, consubstanciada na atribuição de vários prémios, entre os quais o Prémio Micheletti 2008 para o mais inovador e promissor museu de ciência, técnica e indústria da Europa.

Em apenas três anos de programação, o Museu da Ciência da Universidade de Coimbra assumiu um lugar de destaque enquanto instituição de divulgação de ciência em Portugal. Alicerçado num intenso e diversificado programa de actividades, o museu assume-se como uma instituição cultural com um inegável dinamismo que tem conquistado muitos e novos públicos.

Muitos milhares de visitantes participaram nas nossas actividades, vieram ao museu várias vezes e participaram activamente em programas dirigidos a públicos diversificados em interesses e idades. Referem-se iniciativas como a Noite dos investigadores, que reuniu cerca de 1 000 pessoas num ambiente de verdadeira festa da ciência; a Semana do cérebro, em colaboração com o Centro de Neurociências e Biologia Celular, com as Conversas com cientistas que permitiram conhecer de perto o trabalho de alguns cientistas e, deste modo, visitar os bastidores da ciência que se faz em Portugal; formação para professores; colóquios; debates; conferências; tertúlias; programas como o Ciência em família que tem permitido um interessante envolvimento das famílias em actividades científicas, Sábados no museu com muitos e fiéis participantes, Férias no Chimico ou Boa noite no Chimico tem tido um excelente acolhimento junto de diversos públicos.

O Museu da Ciência acolheu em 2009 cerca de 30 mil visitantes, mantendo um crescimento anual superior a 30%. Desde a abertura acolhemos 570 Escolas e realizámos mais de duas centenas de iniciativas, metade das quais no último ano.

A construção do Museu Digital (http://museudaciencia.inwebonline.net/), uma plataforma web do Museu que disponibiliza o acesso à maior base de dados de instrumentos científicos e colecções científicas do país, é um dos projectos com grande impacto nacional.

A segunda fase do projecto do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra compreende a recuperação e instalação do Museu também no edifício do Colégio de Jesus, multiplicando por dez a área e a quantidade de conteúdos e de objectos de colecção hoje acessíveis ao público. Sedimentando a experiência da primeira fase no Laboratorio Chimico, procura-se desenvolvê-la continuando a inovar. Com este projecto, pretende-se alargar a forma como os objectos históricos das colecções podem participar mais intensa e interactivamente na experiência vivida pelos visitantes num espaço de divulgação de ciência por excelência.

O Director do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra

Paulo Gama Mota

quarta-feira, 19 de maio de 2010

O NOSSO PRÓXIMO "JANTAR COM HISTÓRIA"

(Prof. Doutor João Gouveia Monteiro)

Será já no próximo dia 28 de Maio, pelas 19h30m, que decorrerá no Hotel D. Luís mais um “Jantar com História” da nossa Associação Cultural. Para que tudo corra dentro do que está previsto, pede-se aos interessados toda a pontualidade.

Deixamos aqui todas as indicações relativas à unidade hoteleira: Hotel D. Luís - Quinta da Várzea - Santa Clara 3040-091 COIMBRA. Tel: +351 239 802 120 | Fax: +351 239 445 196. Web: www.hoteldluis.pt Mail: roberta.calado@hoteldluis.pt

Coordenadas GPS: Longitude: -8.43117 / Latitude: 40.18985

O Orador, após a habitual refeição de convívio, será o nosso Consócio Prof. Doutor JOÃO GOUVEIA MONTEIRO, que desenvolverá o seguinte tema: “Como Roma dominou o Mundo. Os seis segredos da máquina de guerra romana”.

Jantar Bufet: entradas; pratos de peixe e carne; saladas; sobremesas; vinhos tintos e brancos Messias; cafés.

Preço Normal: 25 euros

Preço para estudantes: 10 euros

Inscrições: Junto da Dra. Anabela Monteiro: anabela8@hotmail.com

Para este evento da Alternativa, que se adivinha de grande qualidade, a Direcção convida todos os sócios, chamando a atenção para a conveniência de se fazerem inscrições com alguma antecedência em relação à data do evento, para que assim se consiga uma optimização quanto à organização e modo de funcionamento do mesmo.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

PELA REPÚBLICA : UM ARRAIAL REPUBLICANO


Alternativa - Associação Cultural

A ALTERNATIVA – Associação Cultural encontra-se associada à iniciativa promovida pela Câmara Municipal de Miranda do Corvo que decorrerá neste próximo dia 15 de Maio. Essa iniciativa, que promete ser memorável, realizar-se-á na Praça José Falcão da mesma localidade. Aí irá decorrer um ARRAIAL REPUBLICANO, o qual decorrerá também sob a égide da Escola José Falcão de Miranda do Corvo.

Antecedendo o ARRAIAL REPUBLICANO, o Presidente da ALTERNATIVA, Professor Doutor Amadeu Carvalho Homem, proferirá, a partir das 15 horas, no Auditório Municipal de Miranda do Corvo e sob os auspícios da respectiva Autarquia, uma conferência pública subordinada ao tema “A evolução temporal da ideia de República”.

Tendo em conta que a Alternativa é organização apoiante das duas iniciativas e que o seu Presidente toma parte importante em uma das mesmas, abordando uma temática sumamente interessante, a Direcção vem, por este meio, convidar todos os associados a estarem presentes.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

LIVRO DE CAPITÃO DE ABRIL


Em mais uma iniciativa da Delegação Centro da A25A, em colaboração com a "Bertrand", damos conta da apresentação em Coimbra da obra "CAPITÃO DE ABRIL, CAPITÃO DE NOVEMBRO - CORONEL SOUSA E CASTRO".

A sessão terão lugar dia 22 do corrente, pelas 18horas,e a apresentação caberá a Dra. Manuela Cruzeiro e Major-General Augusto Monteiro Valente.

A iniciativa é da Delegação do Centro da Associação 25 de Abril e tem o apoio da ALTERNATIVA - Associação Cultural .

sexta-feira, 16 de abril de 2010

MIRANDA DO CORVO - CENTENÁRIO DA REPÚBLICA


Prezados Consócios :

A pedido da Comissão para a Comemoração do Centenário da República em Miranda do Corvo, divulgamos o programa para amanhã, dia 17 de Abril.

Local: Cinema de Miranda do Corvo
15:00 horas: Conferência " Da Monarquia à República", pelo Dr. Manuel Magalhães e Silva

16:00 horas: Conferência " A Maçonaria e a República - Liberdade e Democracia", pelo Dr. António Arnaut

17:00 horas: Debate

18:00 horas: Concerto pela orquestra do Conservatório de Música de Coimbra.


A Direcção da ALTERNATIVA associa-se a estes acontecimentos comemorativos do Centenário da República e convida todos os associados a estarem presentes.
Calorosos cumprimentos

MIRANDA DO CORVO - CENTENÁRIO DA REPÚBLICA


Prezados Consócios :
A pedido da Comissão para a Comemoração do Centenário da República em Miranda do Corvo, divulgamos o programa para amanhã, dia 17 de Abril.
Local: Cinema de Miranda do Corvo
15:00 horas: Conferência " Da Monarquia à República", pelo Dr. Manuel Magalhães e Silva
16:00 horas: Conferência " A Maçonaria e a República - Liberdade e Democracia", pelo Dr. António Arnaut
17:00 horas: Debate
18:00 horas: Concerto pela orquestra do Conservatório de Música de Coimbra.
A Direcção da ALTERNATIVA associa-se a estes acontecimentos comemorativos do Centenário da República e convida todos os associados a estarem presentes.
Calorosos cumprimentos

sexta-feira, 2 de abril de 2010

PROTOCOLO ACM/COIMBRA - ALTERNATIVA



TRANSCRIÇÃO DAS PRINCIPAIS DISPOSIÇÕES DO PROTOCOLO A FIRMAR PROXIMAMENTE ENTRE A ACM DE COIMBRA E A ALTERNATIVA


CLÁUSULA PRIMEIRA


Pelo Presente Protocolo, a A.C.M. e a Associação Cultural Alternativa comprometem-se a colaborar no sentido de aproveitar as potencialidades de ambas as instituições, com vista a desenvolver uma cooperação institucional mútua em iniciativas de natureza cultural.


CLÁUSULA SEGUNDA
(Regalias concedidas pela A.C.M.)

A A.C.M. compromete-se a acolher nas suas instalações iniciativas da Associação Cultural Alternativa e a divulgá-las entre os seus associados;
A A.C.M. disponibilizará instalações para reuniões regulares da Associação Cultural Alternativa.



CLÁUSULA TERCEIRA
(Regalias concedidas pela Associação Cultural Alternativa)

A Associação Cultural Alternativa compromete-se a colaborar em programas culturais promovidos pela A.C.M. em colóquios, debates ou conferências.
A Associação Cultural Alternativa compromete-se a divulgar entre os seus associados as actividades culturais programadas pela A.C.M. incentivando-os a nelas participarem.

terça-feira, 16 de março de 2010

A FUNDAÇÃO BISSAYA BARRETO E O CENTENÁRIO REPUBLICANO


A FUNDAÇÃO BISSAYA BARRETO NAS COMEMORAÇÕES DO

CENTENÁRIO DA IMPLANTAÇÃO DA REPÚBLICA

18 MARÇO 2010 Entrada Livre

EXPOSIÇÃO > 18.30H CONFERÊNCIA > 19.00H

Casa Museu Bissaya Barreto

R. da Infantaria, 23 – Coimbra

A EXPOSIÇÃO BISSAYA BARRETO E A IMPLANTAÇÃO DA REPÚBLICA

Por imagens, documentos e relatos se traça o perfil ideológico e o percurso político de um activo republicano: Fernando Bissaya Barreto. A ligação do jovem universitário à criação do Grupo do Livre Pensamento; a acção do dirigente associativo estudantil (membro da Assembleia Geral da Associação Académica); o fundador e membro da 1ª Direcção do Centro Académico Republicano (1906); o intransigente activista da greve académica de 1907; o carbonário e maçon coimbrão; o deputado à Assembleia Nacional Constituinte de 1911… numa exposição de visita obrigatória, patente até 16 de Abril.

A CONFERÊNCIA ALGUMAS NOTAS SOBRE O REPUBLICANISMO DE BISSAYA BARRETO

por Amadeu Carvalho Homem

Professor da Fac. Letras da Universidade de Coimbra.

domingo, 7 de março de 2010

PROTOCOLO ACM / ALTERNATIVA

Instalações da ACM - Coimbra

A nossa Associação Cultural está em vias de assinar um protocolo de colaboração mútua com a Associação Cristã da Mocidade (ACM), de Coimbra. Será um momento de grande significado. A ACM é uma agremiação muito prestigiada, pela valia da sua acção. As suas finalidades são as da filantropia, da prestação de serviços à comunidade e da formação da juventude. Por seu turno, a ALTERNATIVA-Associação Cultural poderá proporcionar à ACM os meios de que dispõe, sobretudo quanto aos recursos humanos que lhe cumprirá disponibilizar, ao nível da dinamização cultural. Continuaremos a dar conta, neste nosso espaço, dos esforços por nós colocados para que a nossa Associação se imponha e venha a ampliar a sua área de influência.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

O MUNICÍPIO DE MIRANDA DO CORVO EDITARÁ OBRA DE JOSÉ FALCÃO


A Cartilha doPovo, de José Falcão, é um dos textos mais emblemáticos da propaganda republicana, ainda sob a monarquia constitucional. Respondia a necessidades de formação e de informação que era imperioso derramar sobre uma população desmoralizada, descrente e sobretudo mantida em estado de profunda ignorância (não deveremos esquecer que a monarquia constitucional levou aos primeiros tempos do século XX uma população portuguesa com mais de 75% de analfabetos)! Por isso, na sua Cartilha do Povo, José Falcão colocou em diálogo um Zé Povinho pouco esclarecido e um João Portugal mais conhecedor dos homens e das coisas. Esses diálogos eram travados entre ambos em torno dos valores fundamentais da Democracia republicana (sufrágio, cidadania, direitos e deveres de cada um, patriotismo, laicismo, etc). A linguagem utilizada era singela, uma vez que o folheto deveria ser lido em público perante grupos de concidadãos que, por não saberem ler, se limitavam a ouvir.

É com grande prazer que anunciamos que a Câmara Municipal de Miranda do Corvo irá reeditar, em edição fac-similada, no âmbito das comemorações do Centenário da República, a magnífica obrazinha do grande José Falcão, ele próprio, aliás, natural de Pereira e portanto mirandense de raiz. É mais um serviço que a Autarquia de Miranda do Corvo prestará à causa do republicanismo.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

A REPÚBLICA NA ZONA CENTRO


As comemorações referentes ao Centenário da República estão em marcha, ao nível de toda a Zona Centro. A Câmara Municipal de Coimbra divulgará em breve o seu programa. O município de Miranda do Corvo já o fez, tratando-se de um interessantíssimo elenco de iniciativas, algumas das quais irão decorrer numa casa que é pertença dos familiares do grande republicano do Século XIX, José Falcão. A Autarquia de Penacova centrará as suas iniciativas em torno da figura de António José de Almeida, natural do concelho, já que a sua casa paterna se situava – e situa – em Vale da Vinha. A Câmara Municipal de Condeixa foi bastante criativa, pois patrocina e patrocinará um conjunto de conferências, incluindo conferencistas de credo monárquico, que certamente formularão as suas críticas contra a República com a maior elegância. Tais conferências decorrerão no dia 5 de cada mês, em homenagem ao 5 de Outubro de 1910. Também a Câmara Municipal da Lousã irá acorrer à chamada, estando em conclusão os seus preparativos. Em suma: o Centenário é uma realidade na Zona Centro do país, para bem dos mais elevados valores da Justiça Social, da Liberdade, da Igualdade de oportunidades e do sentimento fraterno que a todos motiva. A ALTERNATIVA – Associação Cultural , quer institucionalmente, quer através de alguns dos seus Associados, está a colaborar com muitas destas iniciativas.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

COIMBRA REPUBLICANA

A Comissão Cívica de Coimbra para as comemorações do Centenário da República, que celebrou o 31 de Janeiro no dia próprio, por iniciativa do Inatel, da Associação Cultural Alternativa e do núcleo de Coimbra da Associação 25 de Abril, tem todas as razões para se dar por satisfeita com os resultados alcançados. As iniciativas programadas foram cumpridas, com apreciável afluência de público e indesmentível sentido cívico e patriótico. No almoço de democratas que reuniu no restaurante “Piazza”, junto à Praça da República, seis dezenas de concidadãos, o Senhor Dr. António Arnaut proferiu uma alocução muito sentida, onde foram exaltados, com vibração e autenticidade, os valores eternos da República e da Democracia. Seguiu-se, no foyer do Teatro Académico de Gil Vicente, uma actuação dos Dixie Gringos cheia de vivacidade, a qual mobilizou o aplauso de todos os presentes e sobretudo o de muitos estudantes. No sarau artístico que se realizou posteriormente, já no interior do TAGV, a Orquestra de Instrumentos de Sopro de Coimbra apresentou um notável programa de música clássica, executada com um altíssimo nível artístico. Significa isto que o início das comemorações do Centenário republicano foi em Coimbra muito auspicioso, antevendo-se outras jornadas de mobilização democrática com um êxito similar à do pretérito dia 31 de Janeiro de 2010.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

A NOSSA REPÚBLICA

Foi este o Manifesto que a Comissão Cívica de Coimbra para as Comemorações do Centenário da República divulgou no dia 31 de Janeiro do corrente ano, no início das suas iniciativas republicanas. A ALTERNATIVA – Associação Cultural, adopta-a como sua, com a maior convicção.

A NOSSA REPÚBLICA

QUEREMOS UMA REPÚBLICA devolvida ao melhor dos seus valores de sempre, ou seja, uma República de Liberdade responsável, de Igualdade nas oportunidades conferidas a todos os Portugueses e de Solidariedade mantida e a manter entre todos os Concidadãos.

QUEREMOS UMA REPÚBLICA servida por devotados obreiros da nossa Causa Comum e não por aventureiros e por oportunistas ao serviço deles próprios.

QUEREMOS UMA REPÚBLICA sem castas ou discriminações nobiliárquicas, na qual as responsabilidades públicas e os cargos oficiais não possam ser vitalícios e hereditários, devendo antes ser sempre temporários e amovíveis.

QUEREMOS UMA REPÚBLICA laica, entendendo-se por laicismo não a contestação às crenças religiosas legítimas dos nossos Concidadãos e ao livre exercício das mesmas, mas a rejeição a toda a qualquer “religião de Estado” ou a todo e qualquer ensino confessional em Instituições oficiais.

QUEREMOS UMA REPÚBLICA onde se pratique o mais impoluto e insuspeito sufrágio universal, na dignidade do voto livre, esclarecido e motivado, à margem e a coberto de todas as modalidades de constrangimento ou de manipulação, oriundas de quaisquer poderes estabelecidos.

QUEREMOS UMA REPÚBLICA de Cidadãos que se sintam orgulhosos da sua condição de Portugueses.

QUEREMOS UMA REPÚBLICA com magistraturas cívicas e hierarquias funcionais exclusivamente fundadas no mérito, no consenso ético e no reconhecimento da qualidade dos serviços prestados.

QUEREMOS HOJE A REPÚBLICA pela qual se bateram ontem as figuras imperecíveis e paradigmáticas de José Falcão, António Augusto Gonçalves, Belisário Pimenta, António José de Almeida, João Chagas, Manuel de Arriaga, Afonso Costa e tantos mais.

QUEREMOS ESTA REPÚBLICA HOJE E SEMPRE. Assumimos formalmente o compromisso de nos batermos por ela agora e no futuro.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

CENTENÁRIO DA REPÚBLICA - COIMBRA

CENTENÁRIO DA REPÚBLICA

INÍCIO DAS COMEMORAÇÕES EM COIMBRA

31 DE JANEIRO

PROGRAMA

Cidadãs / Cidadãos

As Comemorações do Centenário da República vão iniciar-se no dia 31 de Janeiro, último domingo do mês.

O Movimento Cívico de Coimbra para as Comemorações do Centenário da República, a Fundação Inatel – Agência de Coimbra, a Alternativa – Associação Cultural e a Associação 25 de Abril (Delegação do Centro), tem o prazer de lhe anunciar o Programa previsto para esse Dia Festivo.

A ALTERNATIVA-Associação Cultural apela calorosamente aos seus Associados republicanos para que façam deste dia uma emocionante jornada patriótica e democrática, partilhada por todos. O que estará em causa não será outra coisa senão a apologia das generosas ideias dos que sonharam a República como regime solidário, probo e devotado aos superiores interesses da Grei. É essa a República que queremos! É esse o regime que exigimos! Será por esse Ideal que nos iremos concentrar na PRAÇA DA REPÚBLICA, de acordo com o seguinte Programa:

1. Convidamo-la (o) para o almoço de confraternização republicano no Restaurante Piazza, no espaço do antigo Café Moçambique, com entrada pela Rua Oliveira Matos. O restaurante tem duas salas com capacidade para até 100 pessoas, o que nos parece bem. O menu completo – entradas, bebidas, prato de carne, doce, fruta e café, está negociado para 15 euros. Agradecemos a sua inscrição, desde já e até ao limite de 27 de Janeiro, quarta-feira, pelas 12h00, para José Dias, por correio electrónico jdias@inatel.pt ou telemóvel – 919726959. Procuraremos decorar o Restaurante com a Bandeira e um Busto da República. Divulgue e envie-nos as inscrições.

2. Pelas 15h30, na Praça da República, em local a precisar, conforme as condições climatéricas o indiquem, acompanharemos a actuação dos Dixie Gringos, podendo conviver, dançar e agitar as nossas bandeiras, numa confraternização bem popular. A divulgação que possa fazer, a mobilização e a participação de muitos, será importante para o êxito desta parte do Programa.

3. Pelas 17h30, na Sala do Teatro Académico Gil Vicente, vamos acompanhar o Concerto de Abertura, da responsabilidade do Grupo de Instrumentos de Sopro de Coimbra, concerto gratuito, devido ao Apoio da Fundação Cultural da Universidade de Coimbra TAGV, devendo os bilhetes ser levantados uns dias antes na bilheteira. O Concerto decorrerá até ás 19h00 e será precedido de um breve momento político, em que a Comissão Cívica divulgará um texto alusivo à data do 31 de Janeiro e à República.

A Direcção da ALTERNATIVA – Associação Cultural

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

AS LINHAS FRACTURANTES DA 1ª REPÚBLICA (Conclusão)

Antes de expor ideias sintéticas sobre a segunda e última — no meu entender — linha fracturante da 1.ª República, parece-me importante recordar que, embora a proclamação do novo regime tenha nascido de um golpe militar ele, na verdade, resultou de um misto de empenhamento de algumas unidades do Exército e da Armada com uma grande maioria de populares conotados com a Carbonária. Assim, em rigor, não se pode dizer que o derrube da Monarquia se tenha ficado a dever a um golpe militar em sentido restrito. Não, foi um golpe conduzido por militares e com elevado empenhamento de revolucionários civis. Ora, este facto vem colocar em evidência que a República, não se apoiando no Exército e na Armada para se fazer aclamar, nada ficou a dever àquelas corporações e, como consequência, não as valorizou, de imediato, como esteios do regime.

A situação começou a mudar de aparência aquando do golpe militar — embora ainda apoiado por civis — de 14 de Maio de 1915, que pôs fim ao Governo ditatorial do general Pimenta de Castro. Foram a Armada, conduzida por Leote do Rego, e a Guarda-Fiscal as forças que derrubaram o Governo. Tratou-se da primeira intervenção militar na condução da política republicana. Poder-se-ia dizer que esta havia resultado de um pronunciamento militar — que teve em Machado Santos o seu líder evidente — ocorrido em Janeiro e que passou à História como Movimento das Espadas o qual levou à presidência do Ministério o general Pimenta de Castro.

Na origem destas movimentações estava a intervenção de Portugal na Grande Guerra, bem vista e desejada pelos republicanos mais radicais e indesejada pelos mais conservadores e pelos monárquicos.

O conflito militar havia desarticulado os circuitos comerciais da Europa e, até quase, os de todo o mundo. Em Portugal, a par do aumento do custo de vida, rareavam os alimentos mais essenciais. As classes sociais mais desfavorecidas começavam a sentir o peso da guerra, embora fossem incapazes de perceber que este mal não se limitava exclusivamente a Portugal; ele era geral e total.

A intervenção na Grande Guerra, a partir de Março de 1916, obrigou à incorporação de muitos milhares de homens nas fileiras ao mesmo tempo que cresceu exponencialmente o número de oficiais do quadro permanente e milicianos do Exército. Estava a consolidar-se a segunda linha fracturante da 1.ª República.

Na sequência do final do conflito armado as economias da Europa encontravam-se praticamente desmanteladas, a crise era generalizada e fazia sentir-se mais forte nos países de menores recursos e com menor capacidade interventiva na reposição dos circuitos abastecedores. Era o caso de Portugal.

Em tal conjuntura a redução dos efectivos militares impunha-se como medida económica e financeira, todavia, a força da corporação era de tal natureza que, mesmo não vendo alternativas de progressão na carreira, os oficiais preferiram ficar longos anos nos mesmos postos com vencimentos baixos a ter de enfrentar um mercado de trabalho em decréscimo. Este facto, articulado com o desaparecimento de dois dos partidos republicanos — o evolucionista e o unionista — e uma profusão de partidos de pouca duração, veio gerar uma nova conjuntura política depois da morte violenta de Sidónio Pais. O partido democrático — já não liderado por Afonso Costa que se havia radicado em França — optou por favorecer as Forças Armadas, dando-lhes um papel de relevo no quadro dos elementos de pressão do regime. Primeiro, foi a vez da Guarda Nacional Republicana (GNR) se tornar uma força decisora dos destinos políticos nacionais e, depois, foi o Exército que, a partir de 1924/1925, se afirmou como força fracturante do regime quando se clamava por uma ditadura — ainda que provisória — quando já aparecia como impossível o entendimento entre os partidos políticos republicanos. Tudo estava a ser posto em causa face à ingovernabilidade do país.

O golpe militar de 28 de Maio de 1926, antecedido por uma outra tentativa não vitoriosa, colocou nas mãos do Exército e, especialmente, nas mãos dos tenentes, os destinos nebulosos da República, já que ninguém tinha a certeza de nada quanto ao regime ou ao sistema de governo. Foi nesta altura que, de modo velado, mas convergente, os elementos integrantes da primeira linha fracturante da 1.ª República se conjugaram com os elementos integrantes da segunda linha fracturante — as Forças Armadas — para aniquilar a democracia e, acima de tudo, a ideia de progresso e modernidade que estava associada à proclamação do regime na manhã de 5 de Outubro de 1910.

Em síntese, pode dizer-se que a 1.ª República ditou a sua perda quando, lutando pela necessária mudança, criou a primeira linha fracturante ao contrariar a influência da Igreja Católica em Portugal e a segunda ao dar importância excessiva ao Exército na sequência da participação na grande Guerra.

LUÍS ALVES DE FRAGA

Amigo da ALTERNATIVA

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

AS LINHAS FRACTURANTES DA 1ª REPÚBLICA (2ª Parte)


Foi Afonso Costa — o mais radical dos três grandes líderes do PRP (António José de Almeida e Brito Camacho na ordem decrescente do radicalismo) — quem, como ministro da Justiça, desferiu o primeiro golpe fracturante na jovem República quando fez rapidamente expulsar as ordens religiosas de Portugal, nomeadamente a Companhia de Jesus — retomando legislação do marquês de Pombal — decretou o registo civil — em oposição ao registo religioso — e fez publicar a Lei da Separação das Igrejas do Estado — tornando Portugal num Estado laico. Ele foi o executor de uma política cujo diagnóstico havia sido traçado quarenta anos antes por Antero de Quental.

Indiscutivelmente a Igreja Católica era, naquela época, a força mais retrógrada da sociedade portuguesa a qual, associada à pobreza endémica do território, contribuía para o atraso social do país. Destruir o poder do clero era fundamental para impor a República e, também, para abrir as portas à modernidade europeia. Mas esta medida, se por um lado era imprescindível, por outro, era fracturante: a sociedade portuguesa ia dividir-se, vendo nos republicanos os demónios subidos dos infernos ou, ao contrário, apreciando-os como anjos e motores da liberdade. A República passou a ser, em simultâneo, trevas e luz. E foi-o sempre até à Constituição Política de 1933 e à assinatura da concordata com a Santa Sé, pese embora a aparente acalmia iniciada no consulado de Sidónio Pais, quando este caudilho, mais por actos que por decretos, deu os primeiros sinais de tentativa de apaziguamento da questão religiosa. Mas o importante tinha deixado de ser a laicização do Estado, porque, na brecha aberta por ela no tecido social nacional, se haviam implantado correntes monárquicas, que, com maiores ou menores auréolas teóricas, desejavam não só o regresso à Monarquia, mas, acima de tudo, o retorno à tradição.

Na sequência do golpe militar de 28 de Maio de 1926, o Estado Novo foi a vitória confusa — e propositadamente confundida — da República ultra-conservadora, embora tenha sido muito mais do que isso. Na verdade, foi, até à morte política de Salazar — à semelhança do que acontecia em Espanha — uma vaga promessa de retorno à Monarquia e uma difusa afirmação de republicanismo. A linha fracturante lançada por Afonso Costa, embora não tendo dado os frutos de um rápido caminho para a modernidade, possibilitou que a política nacional se desenvolvesse condicionada pelo problema religioso. A Igreja Católica, durante os quarenta e oito anos de ditadura, tornou-se, paradoxal mas logicamente, numa das linhas estruturantes do Estado Novo. Não tendo florescido em Portugal a doutrina social da Igreja, ela tornou a ser a força da reacção política à modernidade, apadrinhando e abençoando o combate a todas as manifestações que apontassem para uma necessária modernização da sociedade portuguesa. O medo do comunismo determinou a lei do condicionalismo industrial e este, por seu turno, ao mesmo tempo que procurava manter o país vivendo do e para o sector primário da economia, impediu que Portugal, em tempo oportuno tivesse encontrado a sua especialização económica tal como aconteceu com grande parte dos Estados de fracos recursos na Europa. Realmente, a economia fechou-se sobre o Império não conseguindo a autarcia que se desejava.

A sombra da fractura lançada, em 1910, por Afonso Costa, estendeu-se até quase às vésperas do golpe militar de 25 de Abril de 1974. As forças da reacção venceram a indomável vontade daquele político e estadista e atrasaram Portugal muitíssimo mais do que os quarenta e oito anos que vigoraram no Poder.


LUÍS ALVES DE FRAGA

Amigo da ALTERNATIVA

sábado, 2 de janeiro de 2010

AS LINHAS FRACTURANTES DA PRIMEIRA REPÚBLICA (1ª Parte)

Não chegou a dezasseis o número de anos de vigência da 1.ª República, contudo, quer-me parecer que foram de uma extraordinária riqueza do ponto de vista dos objectivos de ruptura com o passado, procurando levar para a modernidade um Portugal, então, ancilosado.

O século XIX, com o tremendo salto tecnológico que o caracterizou, por um lado, e, por outro, com o extraordinário desenvolvimento das correntes comerciais, veio colocar a nu as carências estruturais portuguesas.

Território sem carvão nem ferro de qualidade, não pôde industrializar-se ao ritmo dos Estados europeus. Rapidamente a fraca marinha, que ainda subsistia dos tempos da navegação à vela, foi relegada para um plano inferior ao comum das suas concorrentes estrangeiras. A definição de fronteiras nos territórios de África, exigindo a ocupação efectiva, depois de 1885, evidenciou a fraqueza de um Exército que pouco mais servia do que para a repressão interna e para dar lustro às procissões religiosas e outras festas públicas. Na metrópole, com uma agricultura que não chegava para a subsistência interna, a mobilidade social era quase inexistente, traduzindo-se por um elevadíssimo índice de analfabetismo. Por cima de todo este quadro pairava, com poderes quase absolutos, a religião católica apostólica e romana empenhada em, mantendo privilégios, manter a crendice como entorpecente das mentes e das consciências. Esse hipnótico poder só nas grandes cidades — Lisboa, Porto e Coimbra — tinha alguns raros oásis onde o livre pensamento deixava a claro a paupérrima e depauperada situação nacional. Foi nessas urbes — e noutras em menor escala — que o republicanismo, como força de ruptura, se implantou e iniciou toda a acção de propaganda, levando-o à posição de partido com assento parlamentar.

A questão republicana como força de alteração do regime colocou-se de duas formas simples: ou se conseguia a mudança pela via eleitoral ou por meio revolucionário violento. A segunda corrente impôs-se já depois do regicídio e foi pela adopção do princípio revolucionário que marcharam para França e Inglaterra Sebastião de Magalhães Lima, advogado, jornalista e grão-mestre da Maçonaria e José Relvas, abastado agricultor da região de Alpiarça. A missão era simples: em França — primeira República da Europa — conquistar a simpatia do Governo e da população esclarecida para a necessidade de alteração de regime em Portugal; em Inglaterra, conseguir, pelo menos, a neutralidade do Governo britânico face à revolução republicana. Claro que tanto em Paris como em Londres tiveram de ser dadas garantias quanto às intenções de quem se propunha derrubar a Monarquia. Essa terá sido uma das razões da escolha daquelas duas personalidades como embaixadores do Partido Republicano Português (PRP): enquanto um simbolizava a liberdade de pensamento e a ordem constitucional maçónica o outro figurava a tradição agrícola de um país meridional. Nada fazia supor radicalismos excessivos que fossem para além da mudança do regime e de um ou outro pilar de sustentação do Estado. A surpresa registou-se com a tomada de posse do Governo Provisório da República.

LUÍS ALVES DE FRAGA

Amigo da ALTERNATIVA

domingo, 13 de dezembro de 2009

CHOQUES CULTURAIS ... UM CASO ESPECÍFICO


As culturas de outros povos têm aspectos que nos surpreendem muito e, numa primeira percepção, afiguram-se estranhas ao nosso sentir e à nossa vivência. Tal é um facto incontestado. Cabe-nos a nós, quando ouvimos, quando vemos e quando lemos perceber que estamos a contactar outras realidades diferentes e para as quais não cabem juízos de valor, desde que não agridam os direitos, consagrados como universais do ser humano. Vivemos uma época que muito se fala em diferenças culturais. No entanto, elas já estão referidas desde tempos bem remotos. Por exemplo, o contacto dos europeus com terras do Extremo-Oriente provocou situações de surpresa, de antagonismo e, até, de repúdio cultural. E a propósito de uma situação dessas, lembrámo-nos de uma descrição de um viajante espanhol, datada do final da centúria quinhentista. O aventureiro escrevinhador teve a oportunidade de contactar uma comunidade que vivia numa das muitas ilhas do arquipélago filipino, possuidora de pelo menos um costume assaz estranho para os olhos de um europeu, habituado a outras morais e comportamentos.

Conta o nosso viajante, nos seus relatos, que na dita comunidade as mulheres gozavam de uma vida íntima particularmente activa, antes da ligação oficial com um dos homens da tribo – o tradicional casamento. É um facto que a beleza física das mulheres sempre foi factor de atracção para os homens e, assim sendo, qualquer elemento masculino gostaria de arranjar uma companheira que fosse particularmente bela, para satisfação do seu ego de macho alimentado pelos olhares de inveja dos seus parceiros viris. No entanto, a cultura da dita comunidade ia mais longe pois, como não existiam os entraves às relações privadas antes do casamento, quanto mais as raparigas conhecessem sexualmente os homens da tribo, mais destacada seria a sua beleza e a sua capacidade de atrair o macho, ansioso por tais instintos absolutamente naturais. Neste contexto, nenhuma rapariga queria ser virgem – os deuses as guardassem de tal penoso destino! – como necessitavam mesmo de ter um rol significativo de experiências desse teor no seu curriculum pré-matrimonial. A questão era bastante séria para as cachopas, pois se permanecessem sem os tais contactos (ou mesmo com poucos) era sinal inequívoco que não valiam grande coisa como mulher…faltando-lhes os tais requisitos apreciados pelos homens e, sem eles, lá se ia a oportunidade de arranjar um companheiro certo e seguro para a vida, futuro pai dos seus rebentos.

Estranho costume? Para os nossos olhos, de certeza. No entanto, se reflectirmos um pouco sobre esse “bizarro” comportamento, encontramos nele uma lógica absolutamente racional e uma comunidade livre de preconceitos a esse nível, que deveria viver bem alegre e satisfeita. Pelo menos, as jovens solteiras.


ANABELA MONTEIRO

Associada da ALTERNATIVA

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

"CULTURA DO HIP-HOP" ???


Esta crónica visa confessar e provar a minha ignorância. A minha profunda ignorância, que ao longo dos anos tem vindo a crescer e (sou forçado a reconhecer) já bateu no fundo. Daquele cidadão que, embora improvavelmente, venha a ler esta confissão, espero que, sem qualquer sombra de escrúpulos, a guarde sob rigoroso segredo com a mesma garantia como, entre nós (uns atados e outros desatados) se guarda o tão badalado segredo de justiça. Ficarei, assim, com a certeza de que não irei ser lido como testemunha, mas antes, e com muita honra, na enobrecida (porque constitucional) qualidade de arguido em causa própria. Por isso, e ao contrário do Eça, não precisarei de “sobre a nudez forte da verdade” colocar “o manto diáfano da fantasia”…

E, no meu caso, a nudez da verdade é transparente como borras de café: eu, que aos 13 anos, como que arremedando o gato da madama, tocava viola e falava francês, até há pouco tempo não sabia para que servia e como funcionava o DVD! Pior: eu, que, naquela idade, fui cicerone na Exposição do Mundo Português, de 1940, para acompanhar os turistas de língua francesa, não sei o que é, não conheço de lado nenhum, a "cultura hip-hop", que vejo referida, com frequência, na comunicação social. Confesso que me sinto um grande “nabo”…

E confesso também que a minha noção de cultura democrática está seriamente desactualizada se comparada com certos factos que vão ocorrendo por todo o país. Aprendi que, em democracia, os litígios, as diferenças de opinião e as ideias se discutiam com base no diálogo, no respeito mútuo e na livre expressão do pensamento de cada um. Afinal, o que vemos e ouvimos todos os dias são insultos à vivência democrática por parte de políticos em discursos capciosos e atitudes desleais, estabelecendo enorme confusão entre os portugueses!… .

A minha actividade profissional desenvolveu-se ao longo de 46 anos (1946/1992), dos quais, os últimos 35 anos foram preenchidos no sector da indústria. Aprendi aí que a produtividade de uma empresa está longe de depender, exclusiva ou principalmente, dos seus trabalhadores. Estes estão no “fim da linha” e a seu montante existem factores importantes cuja produtividade pode e deve ser medida a fim de possibilitar uma “radiografia” completa da empresa e localizar os eventuais pontos fracos da sua produtividade global. Aprendi com a experiência a dar prioridade à determinação da Produtividade da Gestão e da Produtividade dos Meios Técnicos afectos directamente ao processo produtivo. Só depois me considerava habilitado a interpretar o índice da Produtividade dos Recursos Humanos, quer ao nível das Unidades produzidas, quer ao nível das Horas trabalhadas e da produtividade dos Custos com o Pessoal.

Mas o que se vai lendo todos os dias na nossa imprensa (e que vem pôr em destaque a minha desactualização) são referências (secas) à "produtividade por trabalhador", que consideram ser "a mais baixa da União Europeia". E avançam uma razão mefistofélica: "Começamos por não ter grandes hábitos de trabalho, ou seja, somos preguiçosos"! Que os nossos emigrantes em França, no Luxemburgo, na Alemanha, na Austrália, no Canadá, na América…lhes perdoem, pois não sabem o que dizem!

Quanto a mim, perante tanta e expressiva sabedoria, confesso que preferia continuar a ignorar para que serve o DVD e que raio de “cultura” é essa do “hip-hop”…

Fiquem bem. Eu, como se está a usar agora, fico “estupidamente tranquilo”...

JÚLIO CORREIA - Amigo da ALTERNATIVA

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

OS "ESPREITA" ou CONVERSA DE SOALHEIRO

Recapitulemos: as Autoridades competentes, autorizadas por quem de direito, fizeram escutas telefónicas a um conjunto de personalidades que consideravam suspeitas. Um desses suspeitos era amigo, de longa data, do Primeiro-Ministro. O Primeiro-Ministro falava com ele ao telefone da mesma maneira que qualquer um de nós poderia comunicar com um amigo muito próximo. E, com toda a probabilidade, o Primeiro-Ministro teria dito as mesmas impropriedades irreverentes que todos nós podemos confiar, pelo telefone ou em discurso directo e pessoal, àqueles que nos merecem total confiança. Se eu sou inimigo de um fulano qualquer, não o tratarei, nestas condições, por Sua Excelência mas sim por “aquele gajo”; e, tratando-se de uma Madame, eu não irei referi-la como “aquela encantadora Sílfide”, mas direi “ a tal tipa”. Isto pertence à “sabedoria das nações”, segundo creio. Mas tudo isto ganhará relevo novo se alguém permitir que a opinião pública, escancaradamente, tenha acesso a tais “desabafos”. É que as expressões “gajo” ou “tipa” irão contribuir infalivelmente para a depreciação da imagem de um político no activo, mesmo que elas possam ser reconhecidas como normais, usuais, correntias, numa conversação particular. Claro que poderá dar-se o caso de emergir dessa telefónica loquacidade o sintoma ou a confirmação de um crime. E aí poderão e deverão accionar-se as instâncias competentes do Estado de Direito (?), para que ao Primeiro-Ministro sejam imputadas as correspondentes responsabilidades criminais. Sobre esta suposição, não irei eu pronunciar-me. Já se pronunciaram os mais altos responsáveis, dando-se o caso de o terem feito … em sentidos divergentes. O que haverá, neste particular, de ser pedido às Faculdades de Direito do nosso país é que afinem um pouco mais a dialéctica jurídica e a tornem unívoca, para não assistirmos - nós cidadãos comuns, que pouco sabemos de Direito (interessa-nos mais a Filosofia) - ao deprimente espectáculo de vermos a interpretação jurídica pelas ruas da amargura. E com o agravo de a vermos assim estropiada, pela mão das mais conspícuas mentes da especialidade!! Este marulhar de interesses medra num subsolo que convém escavar. A vozearia dos que pedem a revelação das escutas produz-se não por estarem essas comadres convictas da culpabilidade criminal do Primeiro-Ministro, mas por terem a certeza da existência dos flatus vocis que sempre se expendem num diálogo privado. Olha se o “gajo” falou na Moura Guedes! E como teria o “tipo” referido a Ferreira Leite? Vamos pedir um microfone público, pois a safra será garantida! O desejo biltre de muita gentinha é que tudo, mas mesmo tudo, seja trazido à babugem da Praça Pública. Ora, o Primeiro-Ministro tem exactamente o mesmo direito à reserva privada que eu tenho, ao telefone ou à mesa do café, quando troco palavras com um amigo, seja ele presidiário ou frade capuchinho. Assim, de duas uma: ou o Primeiro-Ministro é criminalmente imputável e aí as responsabilidades da acusação terão de ser reclamadas não a ele (era o que faltava querermos agora que um criminoso se auto-culpasse!) mas ao Jurista-Mor desta marabunta (digam-me quem é, que eu ainda não percebi), ou o Primeiro-Ministro é criminalmente inimputável e tudo isto fede ao golpe dos que, não tendo ganho o jogo no relvado eleitoral, o querem ganhar na secretaria da batota do “politicalho”. E não deixa de ser estranho que as laboriosas sinapses dos que já pedem o afastamento do Primeiro-Ministro se mantenham agora em sono profundo quanto a uma promoção perpetrada em certo palácio cor-de-rosa, relativamente a um membro do “staff” presidencial sobre o qual impendem suspeitas, talvez até mais consistentes, de tentar a manipulação de meio mundo político… Também poderíamos falar de um tal “pretinho da Guiné”, da maravilhosa democracia do bananal madeirense, etc, etc.

Concluirei com esta confissão, que não tinha de ser feita, mas me apetece fazer: não votei neste Primeiro-Ministro, nem tenho por ele especial consideração. Mas há limites de decência e de cidadania que não me permitem ficar calado.

AMADEU CARVALHO HOMEM

Presidente da Direcção da ALTERNATIVA ...

(... mas escrevendo agora como simples Associado)